quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Causa: Razão e Circunstância.



     Destino. A grande metáfora das estradas cruzando-se a partir do conceito dogmático e inatingível da impossibilidade da vivência só. O dinamismo da vida impede que os caminhos se resumam às linhas paralelas repercutindo na convivência e na eventual indispensabilidade do bom-senso na vida comum. Todavia, até onde o que se planta hoje será o que se colherá amanhã? O controle torna o ser antropocêntrico, e o desejo pelo futuro torna-se a grande frustração. Paradoxal esse desejo, uma vez que o incerto demonstra-se apaixonante.    Não há um livro aonde se possa encontrar por escrito o que cada um passará ao longo de sua trajetória. E a harmonia do cotidiano deve-se a isso. Às atitudes, às surpresas, aos atos que tornam o ser único. Dono e responsável pelo seu fardo. A alma errante e livre em busca do equilíbrio e da temida felicidade, que não se encontra ao fim da longa estrada, mas durante o trajeto, embutida na espontaneidade que nega e concomitantemente garante a excelência da idéia de destino. O modo como lidar com cada circunstância é escolha. Escolhe-se sofrer, escolhe-se sorrir. Escolhe-se acreditar ou não nisso.


Escrito por Beatriz Crotti Zanatel, 27 de janeiro de 2011.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Inexorabilidade.

          Apesar da alma inquieta como uma planta seca na súplica por uma única gotícula de água, o alívio aparecia com a solitária certeza de que tudo, em absoluto, possui como propriedade concreta a efemeridade. Agora, apoiava-se sobre um banco de madeira já apodrecido pelo tempo e assemelhava-se a ele. Não lhe passava pela cabeça apenas esperar que os segundos se arrastassem na sua serenidade. O arrepio frio que se entrelaçou aos nervos aquecidos trouxe consigo o medo. Era uma nova jornada, um novo ano. Entretanto, com algumas marcas cicatrizadas como num disfarce translúcido. Mudanças. Não seria esse o sentido de ser tudo passageiro? Aliás, mesmo que paradoxal, a angústia apenas lhe incentivava a continuar. O que causava o desespero, todavia, era a mão controladora regida pelo corpo assustado. O egocentrismo que consumia o espírito que gritava agora por qualquer aconchego que não fosse aos braços sensatos da solidão era o mesmo que implorava pela aceitação do dinamismo do destino e, consequentemente pelo desprezo ao desejo de possuir tudo conforme lhe era agradável. Conformar-se e adequar-se. Fechara os olhos úmidos. Dias melhores estariam por vir.


Escrito por Beatriz Crotti Zanatel, 2 de janeiro de 2011.