"When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse (...)
(Fix You - Coldplay)
Entre o fracasso e a glória. Entre o erro e o acerto. Entre o escárnio e o reconhecimento. A fronteira que transforma o ser humano em tal. O êmbolo que impulsiona, por vezes, mostra-se como a faca que fere diante daquilo que um “eu” onírico trata como o ideal. Condicionamo-nos a regras que contribuem para um sucesso preestabelecido, subjugando a subjetividade à posição de coadjuvante. Uma sobreposição cruel que inibe a beleza do simples, fazendo do ser humano um maquinário. Enxergando, em expectativas progressivamente longínquas, concretizações que pressionam. Num misto tênue de persistência e obsessão, o individual se perde: subordina-se à tentativa de perfeição. A humildade parece intimidar-se. A ausência da dignidade se instala. Não são permitidos erros. Dúvidas precisam ser deglutidas. E o “talvez” extinto. Até quando o ser humano vai teimar em abandonar seu papel de ser humano? Permanecemos assim: presos em marcha ré.
Escrito por Beatriz C. Zanatel, 9 de outubro de 2011.
