quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Erro

           A subjetividade dos infortúnios criados pelo destino, pelo acaso, ou por qualquer outro nome que se dê às circunstâncias que cercam o ser humano faz com que se mergulhe no próprio ser. O amontoado que se aglutina - corpo, mente, espírito - constrói-se diante de escolhas. A "pseudo-liberdade" destinada a abraçar a ideia de escolha encontra-se reprimida diante da possibilidade de erro. Erro. A palavra de cunho melancólico, ao inserir-se na ditadura da sociedade instantânea, metaforizou-se em fracasso. Ora, não há mais tempo para errar. A cobrança é unidirecional: do indivíduo ao próprio indivíduo. A necessidade instintiva de poder, aliada ao hedonismo e as mazelas da pós-modernidade, fez do ser um amontoado de normas a serem preenchidas para uma suposta realização pessoal. Mas como realizar um indivíduo se o próprio indivíduo permanece tão distante de si? É preciso aceitar a condição humana. É preciso aceitar que a imperfeição pode ter suas vantagens, e que os erros são pretextos valiosos para que mudanças aconteçam. 

(Página Templo Cultural Delfos)

Escrito por Beatriz C. Zanatel, 26 de outubro de 2012.