sábado, 24 de julho de 2010

de corpo e alma.


Devagar, levantou-se. Percebera a janela batendo. Concluiu que o culpado era o vento e sem mais delongas, partiu para o lado de fora da casa, sentou no projeto de muro ao lado, formado por duas fileiras de tijolos, não muito bem alinhados, todavia, isso pouco importava. Através das janelas da alma, reparou que as gramíneas balançavam da direita para a esquerda, acompanhando o balanço dos cabelos despenteados e dos galhos das árvores que gritavam por um resto de vida. Após sentir o cheiro das cores vivas de uma ou outra flor do campo perdida pelo local, retirou a mão do bolso do short, e atritou-a na outra. Já bastava de tanta sinestesia. Chegara a hora de deixar a angústia oriunda da indecisão, invadir-lhe peito, rasgando-o e levando todo ou qualquer resquício de impassibilidade para longe. Controlar a imperfeição e a inconstância humana era como domar uma fera faminta. Até onde o limite do certo segue sem invadir o do errado? Até onde se deve levar em consideração como realmente correto, o que essa massa hipócrita que teimamos em chamar de sociedade julga como tal? Via-se inconformada pelo modo como a coerção social implicava em não deixar com que as pessoas pensassem por si mesmas, e esse turbilhão de pensamentos a açoitava de uma maneira na qual personificava seu corpo e sua espiritualidade em que ambos mostravam-se de mãos dadas e numa afinada sintonia como se dançassem ao som de uma canção de ninar. Num passe, as mãos antes quentes, agora estavam gélidas. Sentira um arrepio nos ombros a mostra e então subira a alça da blusa que estava caída, e já num ímpeto, levantara, olhando ao redor e vendo somente a si própria. Resolvera entrar e tentar colocar em palavras suas sensações.


Escrito por Beatriz C. Zanatel, 24 de julho de 2010.

domingo, 11 de julho de 2010

Cotas sociais - inclusão e incentivo.

O sistema de cotas sociais nas universidades brasileiras é uma tentativa de interação e inclusão dos desfavorecidos financeiramente e, por consequência, que ocupam pouca importância na hierarquia social padrão. Sua fundamentação básica é diminuir a desigualde existente, buscando uma justa integração. Portanto, esse sistema merece, não somente atenção, como o apoio da população nacional e a cobrança pela intercessão do Estado nesse processo.
Pois bem, a discrepância social marcou as civilizações, mesmo que colocada em pleito na maioria delas. Em 1789, por exemplo, borbulhava na França o ideal revolucionário que fez com que os burgueses lutassem pela igualdade de poderes, derrubando o absolutismo e a plenipotência com seu ideal liberalista. Dessa forma, a implantação das cotas não é uma maneira de roubar a vaga de um aluno com maiores condições, nem mesmo uma panaceia, mas um incentivo para a igualdade das classes perante o mercado de trabalho.
É fato que um aluno da escola pública não possui, muitas vezes, a estrutura familiar adequada, nem condições de bancar um ensino particular e de qualidade, todavia, é preconceituoso pensar que esse não é merecedor de ingressar numa profissão de mérito como Medicina e Direito. Assim, é justo que esses estudantes disputem com outros do mesmo nível e, atingindo a nota estabelecida, tenham a oportunidade de mudar, a partir do esforço próprio, a situação já preestabelecida para eles.
Diante disso, cabe às universidades o desafio de preservar o nível acadêmico dos cursos, partindo-se do incentivo para que os alunos pensem em entrar numa faculdade e ser, de fato, alguém capacitado para exercer uma profissão e não só terminar o Ensino Médio com o intuito de arrumar um emprego, até mesmo porque as empresas tendem a exigir, cada vez mais, a qualificação e especialização. Se o estudante tiver a visão de que essa é a sua oportunidade crucial, a possibilidade de igualar-se em competência com qualquer outro cursante na área é notável.
Analisar a questão das cotas no Brasil como uma ferramenta efêmera é a maneira mais sensata de principiar a melhoria no ensino nacional, desde que haja o propósito de alteração estrutural no Ensino Básico, isto é, encarar o sistema como fase de transição, aliando a isso uma futura e hipotética extinção da divisão entre dominado e dominante, não haveria a necessidade da perpetuação do sistema de cotas, pois seria alcançada a, então utópica, homogeinização social.
É de senso comum que, teoricamente, os direitos são iguais para todos, embora, na prática, o cenário seja outro, em que é preciso arriscar, com uma atitude transgressora e altruísta para conquistar a plenitude social.



Escrito por Beatriz C. Zanatel, 30 de março de 2010.

sábado, 10 de julho de 2010