O sistema de cotas sociais nas universidades brasileiras é uma tentativa de interação e inclusão dos desfavorecidos financeiramente e, por consequência, que ocupam pouca importância na hierarquia social padrão. Sua fundamentação básica é diminuir a desigualde existente, buscando uma justa integração. Portanto, esse sistema merece, não somente atenção, como o apoio da população nacional e a cobrança pela intercessão do Estado nesse processo.
Pois bem, a discrepância social marcou as civilizações, mesmo que colocada em pleito na maioria delas. Em 1789, por exemplo, borbulhava na França o ideal revolucionário que fez com que os burgueses lutassem pela igualdade de poderes, derrubando o absolutismo e a plenipotência com seu ideal liberalista. Dessa forma, a implantação das cotas não é uma maneira de roubar a vaga de um aluno com maiores condições, nem mesmo uma panaceia, mas um incentivo para a igualdade das classes perante o mercado de trabalho.
É fato que um aluno da escola pública não possui, muitas vezes, a estrutura familiar adequada, nem condições de bancar um ensino particular e de qualidade, todavia, é preconceituoso pensar que esse não é merecedor de ingressar numa profissão de mérito como Medicina e Direito. Assim, é justo que esses estudantes disputem com outros do mesmo nível e, atingindo a nota estabelecida, tenham a oportunidade de mudar, a partir do esforço próprio, a situação já preestabelecida para eles.
Diante disso, cabe às universidades o desafio de preservar o nível acadêmico dos cursos, partindo-se do incentivo para que os alunos pensem em entrar numa faculdade e ser, de fato, alguém capacitado para exercer uma profissão e não só terminar o Ensino Médio com o intuito de arrumar um emprego, até mesmo porque as empresas tendem a exigir, cada vez mais, a qualificação e especialização. Se o estudante tiver a visão de que essa é a sua oportunidade crucial, a possibilidade de igualar-se em competência com qualquer outro cursante na área é notável.
Analisar a questão das cotas no Brasil como uma ferramenta efêmera é a maneira mais sensata de principiar a melhoria no ensino nacional, desde que haja o propósito de alteração estrutural no Ensino Básico, isto é, encarar o sistema como fase de transição, aliando a isso uma futura e hipotética extinção da divisão entre dominado e dominante, não haveria a necessidade da perpetuação do sistema de cotas, pois seria alcançada a, então utópica, homogeinização social.
É de senso comum que, teoricamente, os direitos são iguais para todos, embora, na prática, o cenário seja outro, em que é preciso arriscar, com uma atitude transgressora e altruísta para conquistar a plenitude social.
Escrito por Beatriz C. Zanatel, 30 de março de 2010.

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