Mesmo sabendo que isso vai passar esse isso atormenta. É um isso doentio, avassalador, que corrói, e chega doer. Na angústia do peito que sofre o isso entra, sem nome. É um sentimento sem sentimento algum, que percorre o corpo inteiro e estaciona na mente. Nela instala-se como um ser heterótrofo, que parasitando, estrangula as forças do hospedeiro e faz com que ele caia, e faz com que ele caia ordenadas vezes, cada vez mais forte. Até que ele não tenha mais desejo de voltar. Até que a alma resolva que ao invés de dar as mãos, aconchegantemente, aquele ser hospedeiro que está sem forças de tanto produzir para que outro consuma, ela o pressiona, o provoca. A alma não se liberta, chicoteia-se por um erro tantas vezes mínimo. Como salvar esse hospedeiro quando somente ele pode buscar energia no seu íntimo angustiante para expulsar o parasita do seu espírito que se enche de amargura? Desalinhado, o pensamento tende a se renovar, a apoiar-se ao que não se mistura à sordidez. A acrimônia começa sentir o efeito da anestesia daquilo que não é turvo, daquilo que é benéfico. A alma finalmente diminui a freqüência da acidez, e adormece, até que o convívio consigo mesmo seja, ao menos, suportável.
Beatriz C. Zanatel, 30 de agosto de 2010.


