A
subjetividade dos infortúnios criados pelo destino, pelo acaso, ou por qualquer
outro nome que se dê às circunstâncias que cercam o ser humano faz com que se
mergulhe no próprio ser. O amontoado que se aglutina - corpo, mente, espírito -
constrói-se diante de escolhas. A "pseudo-liberdade" destinada a
abraçar a ideia de escolha encontra-se reprimida diante da possibilidade de
erro. Erro. A palavra de cunho melancólico, ao inserir-se na ditadura da
sociedade instantânea, metaforizou-se em fracasso. Ora, não há mais tempo para
errar. A cobrança é unidirecional: do indivíduo ao próprio indivíduo. A
necessidade instintiva de poder, aliada ao hedonismo e as mazelas da
pós-modernidade, fez do ser um amontoado de normas a serem preenchidas para uma
suposta realização pessoal. Mas como realizar um indivíduo se o próprio
indivíduo permanece tão distante de si? É preciso aceitar a condição humana. É
preciso aceitar que a imperfeição pode ter suas vantagens, e que os erros são
pretextos valiosos para que mudanças aconteçam.
(Página Templo Cultural Delfos)
Escrito por Beatriz C. Zanatel, 26 de outubro de 2012.

