segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Metamorfose

         Preparava-se para sua epopeia. Por entre os dedos magros, sonhos esguios. Planejamentos metaforizados sob a cintilante estrada que parecia amedrontar e, concomitantemente, reforçar o sorriso espirituoso que nutria aqueles olhos pálidos. Os livros ainda se espalhavam sobre a mesa. Gratos e dedicados, mostravam-se satisfeitos diante daquela alma cuja razão demorara a se tornar equânime à emoção. Teria se tornado? Se a meia-luz oriunda da janela entreaberta encarregava-se de fazer do cenário cênico e sinestésico, as letras irregulares da escrita suave davam seu toque de verdade ao momento. As pernas cruzadas já não eram de alguém que fora, até então, o produto sincrético de uma socialização involuntária. Via-se sem medo. Riscava. O medo permanecia ali. Arriscava. No entanto, a necessidade de mudar – camuflando-se – designava, aos poucos, uma metamorfose física, psicológica e espiritual. Como numa fotografia, olhava para si: palavras, ideais, comportamentos. Por certo, expectativas apareceriam, driblando a racionalidade estóica e retirando o preto – e – branco da foto.

Escrito por Beatriz C. Zanatel, 31 de janeiro de 2012.

OBS.: Agradecimento especial à Manu Altieri por ter me presenteado com uma imagem capaz de dar um significado ainda maior a cada palavra! (http://www.flickr.com/photos/manualtieri/5808646915/in/photostream)

Um comentário:

  1. Atinja o mais infinito azul do céu, com um voo lindo. Realize a "façanha", você é capaz! Porém se o improvável acontecer, não abstenha-se, há sempre
    outras formas de voar.

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