E o ser humano assim permanece: condenado a desejar. Como um servo da Vontade, afunda-se no território pantanoso do poder. Trata-se da inepta sensação de conquistar, que enche os pulmões de um orgulho sinestésico que a cada expiração é substituído pelo ócio. E, então, o sorriso de outrora agora se faz oriundo da impassibilidade, não da satisfação pessoal. Desse modo, sua presença apenas metaforiza o disfarce da angústia. Instala-se sobre o ser o paradoxo. A exigência da felicidade - dentro de uma atmosfera social em que são oferecidas soluções materialistas e imediatas - em contradição à eterna efemeridade do desejar. Individualismo e vulnerabilidade: produtos do processo.
Escrito por Beatriz C. Zanatel, 21 de janeiro de 2013.
