segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vontade: aprisionamento da individualidade.

          E o ser humano assim permanece: condenado a desejar. Como um servo da Vontade, afunda-se no território pantanoso do poder. Trata-se da inepta sensação de conquistar, que enche os pulmões de um orgulho sinestésico que a cada expiração é substituído pelo ócio. E, então, o sorriso de outrora agora se faz oriundo da impassibilidade, não da satisfação pessoal. Desse modo, sua presença apenas metaforiza o disfarce da angústia. Instala-se sobre o ser o paradoxo. A exigência da felicidade - dentro de uma atmosfera social em que são oferecidas soluções materialistas e imediatas - em contradição à eterna efemeridade do desejar. Individualismo e vulnerabilidade: produtos do processo.




Escrito por Beatriz C. Zanatel, 21 de janeiro de 2013.

Um comentário:

  1. Caio Negreiros Cachuté18 de março de 2013 às 19:50

    Curti bastante ! bastante Psicanalítico ao meu ver..hehe..

    "A exigência da felicidade - dentro de uma atmosfera social em que são oferecidas soluções materialistas e imediatas - em contradição à eterna efemeridade do desejar" - isso deveria ser lido por muitos indivíduos contemporâneos com suas pragas e ditames relacionados ao dever ser feliz a todo instante..rs

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