A sinestesia de um desfazer necessário marcava. A melancolia, tomada de ilusões, despedia-se daquele corpo, pois a alma já se aquecia. Sentia o cheiro de todo aquele azul. O gosto de um renovar macio. O toque do verde sobre os cabelos delicados lhe fazia tão bem que puxara o ar com leveza, profundamente, como se os segundos fossem séculos. A dignidade cobria as mãos apertadas. O peito nu vestia-se de amor, pleiteando sobre a efemeridade dos valores. Finalmente o sol dera o ar de sua graça, brincando inocente pelas nuvens incertas que roubavam os medos de outrora. A terra sujava os pés descalços com a intenção de matar a sede em gotas frias que tilintavam por perto. A fraqueza já não lhe serviria mais: a calma tratava de se enraizar. Não olhava para si mais como semente. Fizera-se flor.
(Imagem: duniverso.com.br)
Escrito por Beatriz C. Zanatel, 31 de julho de 2011.



